Superbowl tupiniquim
Se tem uma coisa onde americano sabe dar show é na hora de fazer um show. E a recente final do futebol americano foi mais uma prova disso. Durante quinze dias só se falou no que rolou no showbowl: na incrível montagem do palco à lá Sapucaí no intervalo (!), no show (grátis) da Madonna (!!), nos comerciais milionários (!!!), nas personalidades que acompanharam o jogo (!!!!), no estádio, na estrutura, nas torcidas misturadas sem sinal de violência (!!!!) e, inclusive, no próprio jogo, que para coroar tantas exclamações, foi decidido nos últimos 50 segundos, com um touchdown (!!!!!). Mas mesmo sem a virada histórica do Giants, o jogo já estava ganho. Afinal, mais do que um jogo, isso é show business.
Lógico que isso se explica. Primeiro pela cultura do entretenimento, acalentada desde a mais tenra idade. Música, cinema e teatro, esportes. Desde pequenos os americanos são incentivados (e patrocinados) em buscar a excelência em áreas que, para a maioria de nós, brasileiros, não passam de hobbies e não um trabalho de verdade. Outro ponto fundamental é o espírito de competição, pois para os americanos, bastam duas pessoas terem um “talento” ou interesse em comum para justificar uma competição para separar os “winners” dos “loosers”. De comer mais cachorro-quentes a ser a mais bela e talentosa menininha de 4 anos. Por fim, mas não menos importante, a capacidade de transformar qualquer forma de entretenimento em forma de ganhar dinheiro. Pois cada torneio, campeonato, premiação ou evento é organizado para dar (de preferência muito) dinheiro. O que é, num tempo em que o Dragão Chinês “carboniza” cada vez mais os empregos nas fábricas e empresas americanas, mais do que bem vindo.
Um bom exemplo desta vocação, está nas premiações do cinema. Há alguns anos, o Oscar reinava absoluto, em atenção, audiência e como produto de exportação. Hoje, prêmios de toda sorte pululam em nossa TV. Todos muito bem produzidos, com celebridades na medida para dar audiência e atrair anunciantes. Mesmo que o prêmio seja a “Puruá de Ouro”. O show não pode parar. E tem que dar dinheiro.
As temporadas dos quatro grandes esportes americanos (hóquei, basquete, futebol americano, beisebol) são formatas de forma a não chegarem às fases finais ao mesmo tempo. Afinal, a chance de um morador de Chicago, torcer para os Bulls, os Bears e os Cubs, é grande. E o melhor é aproveitar cada oportunidade para ganhar à sua atenção e o seu dinheiro. Além disso, dessa maneira cada um tem o seu espaço nobre na TV garantido.
Ao contrário do que acontece no Brasil, onde as receitas de TV, o espaço na mídia e os patrocinadores se concentram cada vez mais em 2 ou 3 clubes, diminuindo as possibilidades de vitória dos demais, os americanos vêem no equilíbrio de forças a melhor forma de ter um campeonato lucrativo e atraente. Por isso, na NBA, por exemplo, os últimos colocados têm a prioridade na “escolha” dos destaques do basquete universitário no início da temporada.
É impossível não fazer um paralelo com a principal atração de nossa aldeia: o Campeonato Paranaense de Futebol. Um torneio longo, desnecessário e previsível, que reúne apenas 2 grandes times com folha salarial, torcida e presença nacional, em meio a uma série de equipes semi-amadoras, que após o fim do campeonato, fora uma fugaz participação na série D, fecham suas portas até o próximo ano. Como única salvação de receita, atração e imagem, apenas 2 singelos clássicos. O primeiro deles marcado para as 10 horas da noite (!), na quarta-feira (!!) de cinzas (!!!) e há menos de dez dias do jogo, sem local definido (!!!!). Ah! Existe a opção de ser à tarde (!!!!!) num estádio para 3 mil pessoas (!!!!!!).
Show business à brasileira é isso.
Comentários 1 Comentário
Concordo com tudo. Realmente os caras sabem transformar o esporte em entretenimento e ganhar rios de dinheiro com isso. Com certeza se o Campeonato Brasileiro tivesse os mesmos moldes dos esportes americanos, tudo seria MUITO melhor. A começar por uma final, porque desde que começou a era dos pontos corridos, perdeu-se a emoção de ver um Flamengo x Corinthians, São Paulo x Grêmio, Coritiba x Atlético-MG, Internacional x Atlético-PR, ou outros confrontos, em grandes finais do futebol brasileiro. E obviamente, a questão das cotas de TV e patrocinadores deveria ser divida igualitariamente entre todos os times. Simplesmente teríamos um campeonato BRASILEIRO, com equilíbrio, emoção e entretenimento.