O maior best-seller do momento
Entrei na livraria outro dia e deparei-me com prateleiras e ilhas abarrotadas de livros de autoajuda, de todo tipo: como cuidar de meninos; como cuidar de meninas; como educar adolescentes; como entender os pais; como entender você mesmo. Só faltou: como cuidar de crianças assexuadas e como entender quem lê esse tipo de coisa.
De repente viver virou um manual. “Como ganhar no pôquer; como conquistar seu grande amor; mulheres são de Vênus e homens de Marte (quem vive na Terra, então?); como conversar com um idiota (alguém tenta isso?!); quem mexeu no meu queijo; como emagrecer comendo de tudo; como ser uma pessoa vitoriosa; os dez segredos dos mais bem-sucedidos; os vinte segredos dos dez mais ricos do mundo; a bíblia do marketing; tudo sobre criação”, e por aí vai o negócio.
Para fazer sexo, tem manual. Para cozinhar, também. Para ganhar sempre, tem receita. Para ser linda, sexy, desejada, super-bem empregada, tem uns dez livros.
E isso se reflete no cotidiano. O criativo tem que ter uma das próximas dez sacadas do ano de publicidade; o planejamento tem que ter um dicionário de frases de efeito para rechear a apresentação.
É o motivacional pelo modismo. É a banalização da vida, como se a sua graça não fosse, justamente, a espontaneidade. O legal das ideias é que elas já vêm do seu dia a dia: da boa desculpa de última hora para o atraso, do beijo roubado, dos porres que prometemos nunca mais tomar, da ansiedade para que o telefone toque ou a promessa para que pare de tocar. Às vezes acho que todo o mundo tem dez dicas para o sucesso total e a felicidade ininterrupta.
E atrás dos manuais estão os tarados por esse tipo de leitura. Sabe, essas pessoas que ficam dizendo para você “ficar calmo”, “olhar o lado positivo”, “lembrar que Jesus te ama”; motivando-o com “estamos quase lá”, “está ótimo, mas…”, “vamos em frente”. Poxa! Você teve um dia de cão, bateu o carro, a chuva é torrencial e você sem guarda-chuva, e sempre tem alguém que quer que você ‘se lembre dos famintos na África’, que ‘tudo tem um lado positivo’, que ‘pelo menos você tem saúde’.
Ah! Eu não tenho nada contra livros de autoajuda, desde que eles não autoatrapalhem!
Comentários 1 Comentário
Da mesma forma que nos lilvros, a todo instante aparece, na TV e no rádio, um novo programa capitaneado por algum psicólogo, terapeuta, epecialista em comportamento, palpitólogo e afins. Mandou muito bem, Juilana.