Nem todos a bordo
Um bom começo para meu primeiro texto no novo site do CCPR vem de uma frase que reli em uma coluna do Contardo Caligaris na Folha de São Paulo, há alguns dias. “O covarde morre mil vezes; o corajoso, uma vez só”, disse Júlio César quando a esposa tenta convencê-lo a não ir para o Capitólio e, assim, ser assassinado na tragédia Shakesperiana. Lembro que eu era apenas um estudante de cursinho quando li essa obra. Na época, eu só pensava em me formar em comunicação e não tinha ideia de que ela definiria tão bem um momento da minha futura profissão. Ou melhor: de boa parte das pessoas que hoje estão envolvidas na minha profissão.
A falta de engajamento é, de fato, mais sedutora a curto prazo. Iniciativa gera trabalho, risco e, eventualmente, até a morte precoce no mercado. Em compensação, a zona de conforto proporciona horas a mais para você fazer as unhas ou jogar Call of Duty. Parece meio bobo você arriscar sua pele e holerite sendo que a vida pode ser um shopping center ou um videogame.
De volta ao texto de Contardo Caligaris, a frase de Shakespeare veio de uma reflexão que o colunista fez sobre a predisposição cultural que o homem moderno tem de ser covarde. A necessidade de salvar sua pele a qualquer custo. A não se arriscar mesmo quando poderia ser o herói e salvar seus semelhantes. Como, aliás, fez o capitão Schettino no mar Tirreno recentemente. Deixou sua tripulação sozinha porque estava sentindo frio. E frio, definitivamente, não é zona de conforto pra quem está num cruzeiro.
Olho em volta e percebo que temos uma situação semelhante ao nosso redor. Cada vez menos pessoas assumem riscos ou pior: procuram a oportunidade para se arriscar. O diabo é que, numa eventual falha, aqueles corajosos que ainda restam são massacrados pela fofoca, inveja e autofagismo. Torcer contra virou o commodity do covarde das Araucárias. A lei é se esconder atrás do Macintosh e conspirar nas redes sociais antecipando a derrota, mesmo que platônica, seja lá de quem for.
Para esses covardes, eu digo o mesmo que o comandante da capitania dos portos de Livorno falou para Schettino quando o ouviu choramingando com os ossos gelados.
- Subam a bordo, caralho!
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SALVE, JORGE
Depois de 7 anos de JWT, Jorge Uesu deixa a nossa casa. Devo muito a esse japonesinho de senso de humor apurado e coração enorme. Durante 5 bons anos duplamos juntos e ele fez uma enorme diferença na história da JWT Curitiba. Desejo toda a sorte do mundo a uma das pessoais mais legais e talentosas que já conheci. Tomara que você, leitor, tenha o privilégio de conhecê-lo também.
Comentários 4 Comentários
Realmente, o que mais vale a pena? Querer ser “diferente” ou fazer a diferença? Acredito que só tem um caminho, a segunda opção leva a primeira. Parabéns pela visão.
Texto espetacular.
O Foda é que principalmente aqui na nossa querida Londres tupiniquim os covardes suprimem as esperanças e ideias inovadoras ignoram todo e qualquer indivíduo que queira mudar o cenário. em Curitiba boas ideias morrem precocemente ou os corajosos tem de procurar outra praça para para não morrer tão cedo.
Belo texto, me mostrou que não penso nisso sozinho.
Palavras cativantes. Sintetizou em poucas e bravas linhas uma crítica que tenho tentado bolar a meses, eu diria. Parabéns!