O futuro do Jornal

Impresso ou digital, é a qualidade da informação que mantém a audiência e fideliza o leitor

por Ricardo Voigt

O 9º. Congresso Brasileiro de Jornais, realizado no final de agosto em São Paulo, trouxe para
discussão o tema mais relevante para o segmento desde o advento da internet, a transição
dos jornais impressos para um modelo multiplataformas, ou seja, a convivência entre os meios
tradicionais e digitais.

O executivo alemão Mathias Döpfner, diretor-presidente do Axel Springer, um dos maiores
grupos de mídia da Europa, que publica os títulos Die Welt e Bild, veio ao Brasil e demonstrou
como o grupo tem conseguido se adaptar neste novo cenário e obter sucesso. O Axel Springer
possui, hoje, uma receita maior de assinatura e publicidade digitais do que das mídias
tradicionais, com um crescimento de 10% em 2011.

Como isso? Com uma fórmula simples, mas esquecida por muitos veículos de comunicação,
apostando em conteúdo de qualidade, marketing e no bom e velho classificado.

Fica aqui a dica: a questão central de tudo isto continua sendo a produção de conteúdo com
qualidade e o trabalho da marca como prestadora de serviços.

O jornal do futuro, digital ou não, deve ser fácil de manusear e disponível a milhões de leitores.
O que importa é o conteúdo e não o meio que o propaga. Eu ainda sinto prazer em folhear o
bom e velho standart, de papel jornal, acompanhando de um café preto tirado na hora, mas já
estou me rendendo à agilidade de um tablet.

Voltando a falar do que interessa, o conteúdo, seja digital ou impresso, ele deve ser coerente,
completo, bem escrito e com credibilidade. Construído de forma clara e, de preferência,
aberto a interação. No impresso, o nobre espaço do leitor, no digital o quadro de comentários
e o compartilhamento com as redes.

Se o conteúdo será pago ou gratuito, novamente é o tipo de informação que define o
interesse do leitor. Jornais como o New York Times e Wall Street Journal já chegaram a um
nível de sustentabilidade satisfatório neste ponto, apoiando-se na marca e qualidade do que
produzem. O “paywall” (acesso pago) do “Wall Stre-et” e o modelo “híbrido” do “New York
Times”, que cobra o principal, mas conjugado com matérias gratuitas.

Pense bem, não dá orgulho quando alguém compra o que você produz? Já outros, ficam
no dilema entre a fuga dos leitores na versão paga e o pouco interesse nos canais de fraco
conteúdo. De que adianta ter vários banners publicitários em sites que ninguém acessa.

Li vários textos sobre o assunto, e a conclusão que chego e compartilho com vocês é que o
investimento do futuro deve ser a publicação de conteúdos em plataformas móveis — bem
escritos e editados, com o mesmo cuidado visual dedicado às edições impressas. Afinal,
no Brasil a classe C já inseriu os smartphones na lista de presentes e os tablets ainda vão
revolucionar a maneira como consumimos a informação.

E você o que acha?