O atendimento quer ver alguma coisa. Eu também! Aliás, eu quero ver muitas coisas. Por exemplo: eu queria ver um show do Doors com o Jim Morrison, não vou ver, pronto. Estou resignado. O atendimento podia aceitar mais as coisas. Não tem nada criado, pronto, aceita.
Vou tentar colocar os pés em cima da mesa. Nada. Truquezinho fajuto. Na real, não sei direito pra que serve colocar os pés pra cima. Mas, na maioria das vezes, funciona. O problema é que eu já tentei isso doze vezes hoje e não deu certo, ainda. Bom, o fato é que se não me pegaram até hoje, não vai ser agora. Se bem que nunca demorou tanto tempo assim. Só pode ser a ressaca.
Nessas horas, a primeira coisa que eu penso é naqueles pequenos números, separados por barras, na parte superior do job. Esse mesmo, o prazo. Quem criou ele? Aliás, o prazo pra mim é tão obscuro quanto o que vêm escrito debaixo dele, na maioria das vezes. Como colocam prazo em algo tão subjetivo? E se as coisas não acontecerem dentro do prazo? E se me desmascararem? Não! Isso não pode acontecer justo agora que parcelei a máquina de lavar.
Opa! Não, não, manjado. Isso é foda, tudo já foi feito. Queria receber o The One Show um ano antes de todo mundo, tipo aquela série que o cara recebia o jornal do dia anterior, assim, teoricamente, não estaria chupando ninguém. É impressionante a quantidade de merda que eu consigo pensar por segundo quando estou desesperado. Por falar nisso, porque será que o Silvio Santos não morre nunca. Isso me confortaria, pelo menos, momentaneamente.
Contas, ressaca, família, prazos, atendimentos, assim não dá. Nem com os pés pra cima. Lembro do meu pai, ele tava certo. Devia ter estudado. Matemática não era tão difícil assim, aliás, era só decorar meia dúzia de fórmulas e ficar aplicando elas pro resto da vida, como um pedreiro mental. Mas, não! Preferi vadiar, agora tô aqui, pagando. Eu mereço!
Opa! Opa! Essa é boa. Ufa! Já garante mais duas prestações da máquina. Agora, posso colocar meus pés pra cima e esperar o atendimento chegar.
Revisado por Tainá. |