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Título: Fortiideias cria para TVA - II
 
Beto Ghidini
Gerente de atendimento Wow! Comunicação.
 
12.12.2006
Salvem os atendimentos.
 
Ok, ok, Nelson Rubens. Mais uma vez, a mesma ladainha sobre os dois mundos: Atendimento e Criação. Mas desta vez eu não vou defender os atendimentos. Pelo contrário, uma crítica à classe no terreno do inimigo.

Sem estereotipar ninguém, mas muitas vezes os atendimentos merecem. Não aprendem, estão cada vez mais longe da Criação. Vocês sabem disso melhor do que eu, mas Mothers e CP+Bs da vida são hoje os Young Guns que tem feito campanhas geniais apoiadas no principal pilar da comunicação: uma boa idéia.

Uma idéia do caralho, do caralho mesmo, consegue extrapolar a ciência não-exata da propaganda, mídias e planejamentos e se transformar em ícones de uma época. Tenho certeza que daqui a alguns anos ainda vamos lembrar da genialidade do Subservent Chicken com seu ineditismo em vários aspectos, desde a interação do usuário com um personagem que respondia a estímulos em tempo real e a enorme propagação viral da ação. Resultado: macroexposição nas mais diversas mídias e uma ação que é copiada até hoje. Outros exemplos? Fácil: 1984 e o slogan da Brastemp. Planejamento? Brief? Não tenha dúvida. Mas nos três casos o segredo foi uma boa idéia. Se veio do criativo ou do atendimento pouco importa. Deu resultado? O cliente ficou feliz? 1984 é até hoje o filme mais emblemático da propaganda e “isso sim é uma Brastemp” transformou uma marca em adjetivo, que recentemente emplacou os dois primeiros lugares na categoria luxo do Top of Mind Folha, deixando a Nike em terceiro lugar.

Se a Criação está em crise, esse cenário não foi sempre assim. Já tivemos nossos áureos anos de glamour e a cadeira ao lado direito do cliente. Sim, se as agências algum dia foram o orgulho do cliente, esse orgulho foi conquistado por uma fórmula bastante simples – idéias que vendem. As mudanças no nosso negócio estão ocorrendo a passos largos. Cada vez mais as agências vão cobrar pelo que fazem melhor: vender. A decisão de como vender é sua, mas se você souber colocar um temperinho na comunicação, o resultado será melhor pra todo mundo.

Voltando ao duelo, o que eu quero dizer é que os atendimentos têm que desfazer o cabelinho com gel, descer do salto alto e socializar mais com a Criação. Folhear uma Arquive e assistir a um bom rolo não faz mal a ninguém. Vai ser divertido, experimente, você vai gostar. Mas se você quiser curtir mesmo, saia com a moçada pra tomar uma cerveja, jogar conversa fora, falar de futebol e sacanagem, qualquer coisa, menos trabalho. Você vai ver que os caras são legais e, por incrível que pareça, muito parecidos com a gente.

Atendimento já não é carregador de layout faz tempo, mas ainda não aprendeu a degustar a propaganda como os criativos. Quebre as barreiras. Você vai ter mais sossego na agência e muito mais discernimento do que é bom ou ruim e do que funciona ou não.

Sucesso a todos,

Beto Ghidini
 

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