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Título: CCZ/Elétrica divulga Mãe Curitibana
 
Beto Ghidini
Gerente de atendimento Wow! Comunicação.
 
14.08.2006
Pérolas do Atendimento
 
Respondendo ao Rafael Coradine e, é claro, à Marcélia Luppetti, concordo que um brief completo é utopia acadêmica (sim, isso mesmo, o correto é brief e não no gerúndio, mas como o erro já está institucionalizado, passa batido). A pergunta: seria melhor se fosse escrito por um criativo? Ao invés de melhor, mais claro? É possível que sim, principalmente se fosse um redator. Afinal, esse é o expertise do camarada que é pago para sintetizar idéias e colocá-las no papel. Realmente, eu acredito nas habilidades da criação e sempre apoio as “puta idéias” das duplas, procuro aprovar as peças mais bacanas e as idéias mais inusitadas. Acho essa inteligência da criação realmente louvável. Mas não podemos deixar de reconhecer as habilidades do atendimento.
Um dia desses almocei com um amigo diretor de arte que, cansado de ser escravo em agências e freelas por aí, resolveu abrir sua própria agência. Claro que o comentário no almoço era a chatice dos clientes dele. Não deu cinco minutos e o telefone tocou. Depois de uma conversa cheia de sins, ahãs e tudo bens, não precisou muito para saber que era o cliente.
Se a habilidade de negociação com o cliente não conta, não podemos nos esquecer também da capacidade de fazer um bom diagnóstico do problema de comunicação do cliente. Identificar soluções e traçar caminhos não é um job para ficar restrito ao atendimento ou à criação, é um trabalho para ser feito a várias mãos – atendimento, mídia, planejamento e, é óbvio, a criação, que é responsável para fazer com que as idéias dessa turma toda se transformem em campanhas eficientes e interessantes.
Voltando ao brief, se você ainda tem dificuldade para entender alguma coisa ou houve algo que não ficou claro, muitas vezes é porque você não faz idéia do que está escrito. Talvez esteja mais preocupado em colocar uma idéia brilhante na rua do que em colocar uma idéia brilhante para funcionar por uma causa – o brief. O atendimento está lá, todo santo dia, pesquisando, entendendo e dissecando o business do cliente. Às vezes, o que ele escreveu no job faz sentido para ele, para o cliente e para os consumidores desse cliente. Só não faz sentido para você, que continua sentado atrás do mac. Uma boa sugestão é participar de mais reuniões de brief. Você vai aprender muito mais e vai acertar muito mais. Cansei de ver criativos terem idéias maravilhosas na passagem do brief com o cliente que, muitas vezes, seriam excomungadas se estivessem em um job. Vale a dica.
Sobre as pérolas... Cara, na boa, não existem semi-analfabetos trabalhando com propaganda. Ninguém é capaz de escrever "dingow", ou então confundir a orientação do papel de paisagem para natureza. Se isso aconteceu contigo, meu chapa, peloamordedeus!, fuja dessa agência o mais rápido possível! Além disso, a palavra "leiaute", dessa forma aportuguesada mesmo, consta nos melhores dicionários de Língua Portuguesa e é usada por alguns atendimentos, inclusive por alguns criativos e diretores de criação.
Propagar o hábito de falar mal dos atendimentos é tão ridículo quanto a gente ficar lembrando o quanto os clientes criticam a maioria dos criativos. Mas se, mesmo assim, você quiser trocar algumas pérolas, pode me escrever que eu conheço várias, algumas realmente muito engraçadas.
Bom trabalho a todos!
Beto Ghidini
 

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