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| Rafael Coradine |
| Rafael Coradine é redator e trabalha no interior. |
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| 30.06.2006 |
| As pérolas do atendimento |
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Tem uma coisa que todo profissional de criação gosta de fazer dentro da agência: falar mal do atendimento. Eita esportinho prazeroso! Também, já defendendo minha classe, os atendimentos merecem. Por mais gente boa que seja, mais competente, o tal do briefing da criança vira e mexe revela algumas pérolas. Talvez esteja sendo um pouco audacioso ao falar que todo criativo gosta de esquentar as orelhas dos atendimentos com elogios que soam como um ranger de porta enferrujada, mas por onde passei, sempre era agraciado com alguma pérola dessas figuras que deveriam estar em extinção. Tomara que eles não leiam esse artigo!
Estava eu pensando... Por que a criação gosta tanto de criticar o atendimento? Implicância? Lembrei de um livro de planejamento da Marcélia Luppetti que dizia que um briefing completo era utopia acadêmica. Com a prática no mercado, notei que a indagação da autora fazia sentido, e até consigo evoluir na afirmação dizendo: um bom briefing não é utopia, desde que um criativo o escreva. Será que estou sendo ousado de novo? Agora estou dizendo que o criativo pega um briefing melhor que o atendimento? Não! Talvez sim! O que eu tenho certeza é de que ele seria, no mínimo, mais útil e cuidadoso.
Só para ilustrar. Uma vez cheguei do almoço e encontrei um bilhetinho em minha mesa com um lindo e singelo pedido de criação: criar palavras chaves para um dingow de uma academia. Pensei, será que dingow é jingle? Fiquei fascinado com o aportuguesamento da palavra que estou pensando em aderir a causa e passar a escrever leiaute, ispote e etc. Em outra oportunidade, um belo pedido chegou a um de meus duplas: imprimir em um papel A4 a logo do cliente X em formato natureza. Ficamos pensando... Formato natureza? O que é isso? O que tem que fazer? Colocar a logo e escrever natureza? Depois de muito quebrar a cabeça, descobrimos que era para imprimir a logo em um papel A4 em orientação de página paisagem. Dá pra não rir de casos assim?
Longe de mim querer colocar à prova a capacidade do atendimento, mas que é puramente satisfatório falar mal dessa espécie, isso é! Se tenho razão ou não, sempre será uma briga de palavras, a do criativo contra a do atendimento. O que podemos perceber é que zuar o atendimento virou um prazeroso esporte para os criativos. |
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